O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2018 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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21 abril 2018

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1267, de 20/04/2018, disponível na íntegra com 46 páginas aqui.

20 abril 2018

Presente e ausente são um

A ausência de algo é, ao mesmo tempo, a sua presença através de uma certa forma; o não querer receber alguém é ao mesmo tempo receber de uma certa maneira; o que é dito ao mesmo tempo esconde algo; as palavras e as atitudes são ao mesmo tempo a máscara ou o rosto de outras, sempre reveladoras de algo; falas, discursos e práticas formais contêm - embutidas em si - falas, discursos e práticas informais; afinal, o que importa ter em conta não é a ausência ou a presença de algo, mas a liga ausência-presença ou vice-versa. O estudo dialéctico dos fenómenos sociais - da sua estrutura, da sua linguagem, dos seus símbolos, das suas formas, dos seus hibridismos, dos seus jogos - é, para mim, uma importante área metodológica. A propósito desse Jano da vida, é possível criar um aforismo à Heráclito do género: "Presente e ausente são um".

19 abril 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [49]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
O rumor do bicho-papão-nigeriano – que acabou por se extinguir - era um envelope para exprimir vários problemas sociais, era um fusível social, era uma linguagem errada que traduzia, porém, um agregado de problemas verdadeiros, de problemas sentidos pelas pessoas.
À misteriosa personagem rumoral aqui em estudo foi dada uma cara que parecia real, uma cara que até sugeria estar doente. A esse propósito, um leitor escreveu o seguinte em comentário neste blogue: "Vi as fotos da doença que o dito Nigeriano, outras vezes Somali, transmite. Condilomas, verrugas ou coisa similar. Simplesmente estão num estado bastante desenvolvido. Não precisa ser Nigeriano ou Somali para tê-las e transmiti-las." [aqui]

18 abril 2018

Este diário faz hoje 12 anos de vida ininterrupta

Este diário faz hoje doze anos de vida ininterrupta, tendo nascido às 13:26 de 18 de Abril de 2006, através desta postagem aqui. Esta é a 25.748.ª postagem. Muito obrigado a todas aquelas e a todos aqueles que, um bocado por todo o mundo, fizeram e fazem do "Diário de um sociólogo" o mais visitado blogue moçambicano e uma referência nacional e internacional. Daqui têm saído (e continuarão a sair) ideias e textos para livros, para as introduções aos números da coleção "Cadernos de Ciências Sociais" da "Escolar Editora" que dirijo, para a minha crónica semanal no semanário "Savana" e para as minhas páginas no Facebook, no Twitter, na Academia.edu e no Google+. O Diário de um sociólogo é (1) diariamente actualizado, (2) não se esconde no anonimato, (3) não pratica o panfletarismo e o diz-que-diz e (4) não vive da mediocridade parasitária do copia/cola/mexerica. Face à hegemonia de redes sociais como Facebook e Twitter, é o único blogue moçambicano [sustento que a blogosfera moçambicana morreu há muito] que se mantém vivo com base nas quatro características apontadas. Finalmente, dizer que foi finalista em 2007 e 2008 na modalidade Melhor Weblog em Português no concurso The Bobs da Deutsche Welle - para 2008, recorde aqui. A imagem aniversariante desta postagem foi reproduzida com a devida vénia daqui.

17 abril 2018

Mais três futuros livros

Entreguei ontem à Escolar Editora as correções das provas tipográficas de mais três futuros livros da coleção Cadernos de Ciências Sociais, designadamente os números 37.º, 38.º e 39.º, constantes da imagem abaixo [amplie-a clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]. Agora só falta receber proximamente as provas do 40.º, cujos textos foram recentemente entregues à editora tal como reportei em postagem anterior aqui.

16 abril 2018

Uma crónica semanal

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1266 de 13/04/2018, aqui.

15 abril 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [48]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
O rumor do bicho-papão-nigeriano – que acabou por se extinguir - era um envelope para exprimir vários problemas sociais, era um fusível social, era uma linguagem errada que traduzia, porém, um agregado de problemas verdadeiros, de problemas sentidos pelas pessoas.

14 abril 2018

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1266, de 13/04/2018, disponível na íntegra com 31 páginas aqui.

13 abril 2018

Entrega do 40.º + tema do 41.º

Entreguei ontem à Escolar Editora os textos do 40.º livro da colecção Cadernos de Ciências Sociais, intitulado "O que é verdade em História?", com co-autoria de Antonio Paulo Benatte, Cesar Leonardo Van Kan Saad e José D’Assunção Barros do Brasil e João Carlos Colaço de Moçambique, pela ordem de entrada na foto abaixo.
O futuro 41.º da coleção chamar-se-á "O que são ensino e educação de qualidade (proximamente darei a conhecer a data de entrega à editora), com co-autoria de Jorge Ferrão de Moçambique, Maria Helena Santos de Portugal e, do Brasil, Valda Colares e Desidério Murcho (mas Desidério é um filósofo português, docente universitário no Brasil), pela ordem de entrada na foto abaixo.

12 abril 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [47]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
Prossigamos. O rumor do bicho-papão-nigeriano que espalha vermes comedores de fígado pelos órgãos sexuais das mulheres vítimas, aparece embutido numa viatura de luxo, negra, certamente com os vidros fumados - observei no número anterior. E acrescento agora: esse fabuloso carro cujas características exactas ninguém conhece - mas que muitos de nós afirmarão conhecer -, é, afinal, em mais uma hipótese, uma alegoria para expressar o estatuto sinuoso, ambíguo, dos poderosos, para exprimir todos aqueles que é suposto construirem a sua riqueza com a desgraça dos pobres. A natureza de estrangeiro do nigeriano é exemplar pelo facto de remeter simbolicamente para o exterior a corrosão do tecido social interno. O rumor do bicho-papão-nigeriano é um indicador de desigualdades sociais. Os vermes que é suposto ele espalhar são os arautos da desgraça social.

11 abril 2018

Provas tipográficas+livros no prelo+40.º livro

Recebi ontem as provas tipográficas de cinco livros da coleção Cadernos de Ciências Sociais da Escolar Editora, 31º a 35º, cuja imagem segue abaixo. Dentro de alguns dias entrego as correções à editora.
Enquanto isso, estão no prelo os livros​ 25º a 30º, a saber:
25-O que são rituais funerários?
26-O que é verdade?
27-O que é terrorismo?
28-O que é e para que serve o Estado?
29-O que é colonialismo?
30-O que diferencia ciência da magia?
Proximamente entregarei à editora os textos do 40.º livro intitulado "O que é verdade em História?".
Abaixo, as lombadas dos 24 títulos já publicados.

10 abril 2018

O roubo do desenvolvimento

"A EDM registou, no ano passado só na província de Manica, centro de Moçambique, um prejuízo calculado em 5.3 milhões de meticais na sequência de roubo e vandalização de material elétrico. [Durante o mesmo período, neste mesmo distrito, foram derrubados 14 Postes de Transformação para extração de óleo, cabos elétricos e cantoneiras para venda e fabrico de panelas. [Os malfeitores, para além de cabos elétricos de cobre, roubam também cantoneiras, roldanas, máquinas eléctricas de soldar, parafusos e vandalizaram postos de transformação, vulgo PT, para retirar o seu óleo." Confira fonte aqui. Lembre neste diário aqui.

09 abril 2018

Uma crónica semanal

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1265 de 06/04/2018, aqui.

08 abril 2018

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1265, de 06/04/2018, disponível na íntegra com 31 páginas aqui.

07 abril 2018

Seteabrilemos todos os dias

Hoje, 7 de Abril, Dia da Mulher Moçambicana, é bem mais do que um dia feminino, é bem mais do que uma efeméride nacional na qual, nós, homens, surgimos a conceder às mulheres o direito formal à existência, o direito de terem os mesmos direitos que nós, homens, hoje é bem mais do que recordar Josina Machel (à direita, estando à esquerda Marina Pachinuapa), é bem mais do que transformar a data numa inércia discursiva, é bem mais do que uma pausa nas desigualdades de género, é bem mais do que esquecer temporariamente o facto de haver no país milhões de mulheres ainda apenas mulheres, esmagadas por todo um cortejo de regras e de tabos de sujeição e de múltiplas privações que julgamos apagar no ritual comemorativo.
É bem mais ou devia ser bem mais.
Porque, afinal, Josina Machel é bem mais do que uma mulher que deu a vida pela libertação nacional. Na realidade, o simples facto de ter transgredido o universo caseiro, de ter subvertido as regras costumeiras da opacidade social, de ter contribuído a vários níveis para a libertação da pátria, deu-lhe o estatuto heróico de real produtora de relações sociais diferentes, reais, práticas, não discursivas. Esquecer isso é esquecer o real sentido da luta de libertação, luta que foi a um tempo nacional e social.
Neste dia, um abraço, um beijo, uma mão, um carinho, um respeito, uma fraternidade, uma ponte para todas vós. Nem todas as Moçambicanas sabem do 7 de Abril. Também nem todas elas, nem todas vós, o têm como seu e vosso dia. Mas façam de conta de que todos os dias é Dia da Mulher Moçambicana, dia também das Mulheres de Todo o Mundo. Então, seteabrilemos diariamente.
A luta continua por um futuro mais solidário.

06 abril 2018

Lula

"Eles não vão prender meus pensamentos, não vão prender meus sonhos. Se não me deixarem andar, vou andar pelas pernas de vocês. Se não me deixarem falar, falarei pela boca de vocês. Se meu coração deixar de bater, ele baterá no coração de vocês." - aqui

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [46]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
Prossigamos. O rumor do bicho-papão-nigeriano que espalha vermes comedores de fígado pelos órgãos sexuais das mulheres vítimas, aparece embutido numa viatura de luxo, negra, certamente com os vidros fumados, numa imagem que lembra muito o quadro presente no imaginário social no tocante ao tatá papá tatá mamã, expressão usada no Sul do país para designar o tráfico de pessoas.

05 abril 2018

Conflito

Lá onde se disputam recursos de poder e prestígio, há inevitavelmente conflito.

04 abril 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [45]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
Um sexto factor a considerar no rumor do bicho-papão-nigeriano tem a ver com a sua irradiação vertiginosa através do celular, desse extraordinário ampliador de bocas e de ouvidos, dessa rádio electromagnética quase instantânea. Através do celular, um rumor começa com um verme, a meio da cadeia de comunicação já se acredita que mil vermes foram disseminados, quase no fim (se fim houver) o nigeriano já disseminou jacarés, uma porção de pessoas é suposta ter morrido e o fígado literalmente esgotou nos talhos. Por hipótese, o rumor é em grande medida um produto dos celulólatras. Porém, se o celular rumora, também previne.

03 abril 2018

Guardiões

Os guardiões dos templos universais amam as estradas de sentido único.

02 abril 2018

Uma crónica semanal

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1264 de 30/03/2018, aqui.

01 abril 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [44]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui.
Um sexto factor a considerar no rumor do bicho-papão-nigeriano tem a ver com a sua irradiação vertiginosa através do celular, desse extraordinário ampliador de bocas e de ouvidos, dessa rádio electromagnética quase instantânea.

31 março 2018

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1264, de 30/03/2018, disponível na íntegra com 31 páginas aqui.

30 março 2018

Faísca

Leia a mais recente edição do Faísca [jornal editado em Lichinga, capital provincial do Niassa], 16 páginas aqui.